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Tutores digitais que usam IA devem se popularizar em escolas brasileiras em 15 anos

Publicado em 01/05/2019 às 10:06:48

Entre as muitas possibilidades de uso da inteligência artificial, uma deve ser para melhorar o ensino e a educação. Um estudo realizado pelo Sesi e pelo Senai se debruça sobre o assunto para descobrir como e quando essa tecnologia estará dentro das salas de aula das escolas brasileiras. “O aprendizado mediado por tecnologias é a tendência da educação”, afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai e diretor-superintendente do Sesi. “O uso de recursos baseados em inteligência artificial enriquece a prática pedagógica, assim como ajuda a manter o interesse do estudante.”

Sesi e Senai dão destaque para um tipo de solução que deve trazer grandes benefícios a estudantes: os tutores inteligentes e personalizados. Em resumo, esse tipo de tecnologia seria capaz de analisar as reações de cada estudante para saber quais estão mais avançados e quais estão mais atrasados e enfrentando dificuldades no aprendizado. Na China, por exemplo, o reconhecimento facial de alunos é usado para medir atenção.

De acordo com as previsões do estudo, esse tipo de tecnologia deve conquistar espaço nas escolas aos poucos — principalmente porque pode ser refinada com a adição de funcionalidades como melhorias no processamento de linguagem e conexão à internet das coisas. A estimativa é que dentro de 10 anos de 11% e 30% das escolas públicas e particulares do Brasil contem com sistemas de tutor inteligente. Em 15 anos, esse número deve chegar a até 50% das escolas. 

A chegada da tecnologia até as salas de aula seria importante para preparar os alunos para o mercado de trabalho do futuro. “Diante da quarta revolução industrial, saber lidar com tecnologias será essencial para a prática de qualquer profissão”, afirma Lucchesi. Sesi e Senai recentemente anunciaram uma parceria com a Microsoft para o ensino de inteligência artificial para alunos das redes.

Outra tecnologia citada pelo documento é a de fones de ouvido com tradução inteligente e simultânea. “Ela poderá ser muito útil para alunos que realizam cursos em línguas diferentes das suas”, afirma o relatório. Ainda no campo dos dispositivos de tecnologia vestíveis, o documento fala sobre óculos inteligentes, que “poderão ser de grande serventia para a leitura de textos em diferentes idiomas, fornecendo sua tradução automática”. Ambas as soluções estão previstas para o médio prazo e devem estar mais disseminadas entre 2020 e 2030. O estudo não descarta o uso de realidade aumentada e virtual dentro das salas de aula, técnicas que devem se popularizar com a chegada de óculos conectados e inteligentes.

A nuvem conquista

Não necessariamente relacionada à inteligência artificial, outra tecnologia é apontada pelo relatório como a com maior potencial de penetração em escolas brasileiras: a computação em nuvem. Até 2020, a estimativa é que de 11% a 30% das instituições utilizem de alguma forma a nuvem. Dez anos depois, em 2030, esse número será de 51% a 70%.

“Esses serviços já são muito úteis para a educação. As escolas, independentemente de seu tamanho, podem utilizar essa capacidade de armazenamento e computação para os seus dados e conteúdos. Estes podem ser acessados por professores e alunos de qualquer local”, explica o relatório.